segunda-feira, 21 de setembro de 2020

O DESAFIO DE IVAN PANIN



Qualquer pesquisa básica na internet sobre Numerologia Bíblica ou Matemática Bíblica e é muito provável que você vá parar em alguma página com algum texto sobre as teorias numéricas de Ivan Panin. Mas quem foi esse homem?

Ivan Nikolayevitsh Panin (12 de dezembro de 1855 – 30 de outubro de 1942) foi um imigrante russo nos Estados Unidos que descobriu padrões numéricos nos textos em hebraico e grego dos originais da Bíblia.

“Em 1878 ingressou na Universidade de Harvard e, após 4 anos, formou-se obtendo o grau de Bacharel em Artes (B.A.). Durante seu primeiro ano na universidade fez algumas disciplinas de matemática. Após a graduação ficou conhecido por suas aulas sobre literatura russa. Por este tempo converteu-se* do agnosticismo e nihilismo para o cristianismo. Em 1890 Panin anunciou ter descoberto padrões numéricos no texto em hebraico do livro dos Salmos, e logo depois, no texto grego do Novo Testamento.”
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Ivan_Panin)

          *Na verdade, um dos fatores que levou Panin a abandonar o agnosticismo foi a descoberta dos padrões numéricos na Bíblia. Alguns textos sobre a sua vida contam que, certo dia, já na América, Panin resolveu ler a Bíblia por mero interesse literário.

Ele, na verdade, iniciou suas descobertas numéricas através do texto original de João 1.1, em grego. Em vários dados biográficos dele, espalhados pela internet, podemos ler, por exemplo, o seguinte:

Foi no ano de 1890, quando contava 35 anos de idade, que Ivan Panin recebeu a revelação da estrutura matemática no texto grego original da Bíblia. Ele estava lendo o Evangelho Segundo João no Grego: ”No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e Deus era o Verbo” (1.1). Ele achou curioso o fato do artigo “o” preceder a palavra “Deus” num caso e não no outro. Examinando o texto ele viu que havia um relacionamento numérico. Esta foi a primeira das descobertas que o levaram à conversão.

No grego, o texto de João 1.1 diz: “E o Verbo estava com Deus, e o Verbo era o Deus”. O que este artigo estaria fazendo aqui, quando não faria falta para o entendimento do texto? Panin aprofundou suas pesquisas e descobriu um padrão numérico oculto no texto – e esse padrão não existiria se o artigo fosse eliminado. A partir daí, esse sábio russo começou a fazer novas e impressionantes descobertas, tanto no Novo quanto no Antigo Testamento.

Para se ter uma ideia das descobertas do Dr. Panin, vejamos uma análise dele no texto do Evangelho de Mateus, no original grego, capítulo 1º, nos primeiros 17 versículos (A GENEALOGIA DE JESUS).

Genealogia de Jesus (Mateus 1:1-17)

1 - O número de palavras que são substantivos é 56, ou 7 x 8.
2 - A palavra grega "δε" é a que ocorre com mais freqüência nesta passagem, 56 vezes, ou 7 x 8.
3 - Também, o número de formas diferentes em que o artigo "δε" ocorre é exatamente 7.
4 - Há duas secções principais nesta passagem: verso 1 a 11 e 12 a 17. Na primeira secção o número de palavras do vocabulário grego empregadas é 49, ou 7 x 7.
5 - Destas 49 palavras, o número das que começam com vogal é 28, ou 7 x 4.
6 - O número de palavras começando com consoante é 21, ou 7 x 3.
7 - O total de letras destas 49 palavras é exatamente 266, ou 7 x 38.
8 - O número de vogais entre estas 266 letras é 140, ou 7 x 20.
9 - O número de consoantes é 126, ou 7 x 18.
10 - Destas 49 palavras, o número de palavras que ocorrem mais de uma vez é 35, ou 7 x 5.
11 - O número de palavras que aparecem uma única vez é 14, ou 7 x 2.
12 - O número de palavras que ocorrem em uma única forma é 42, ou 7 x 6.
13 - O número de palavras que ocorrem em mais de uma forma é 7.
14 - Destas 49 palavras, o número de palavras que são substantivos é 42, ou 7 x 6.
15 - O número de palavras que não são substantivos é 7.
16 - Dos substantivos, 35 são nomes próprios, ou 7 x 5.
17 - Estes 35 nomes são usados 63 vezes, ou 7 x 9.
18 - O número de substantivos masculinos é 28, ou 7 x 4.
19 - Estes substantivos masculinos ocorrem 56 vezes, ou 7 x 8.
20 - O número de substantivos que não são masculinos (isto é, femininos ou neutros) é 7.
21 - Três mulheres são mencionadas: Tamar, Raabe e Rute (θαμαρ, ραχαβ e ρουθ). O número de letras gregas nestes nomes é 14, ou 7 x 2.
22 - O número de substantivos compostos é 7.
23  - O número de letras gregas nestes 7 substantivos é 49, ou 7 x 7.
24 - Apenas uma cidade é mencionada nesta passagem: Babilônia (βαβυλων), que contém 7 letras.

Com base nesse tipo de análise do texto bíblico, Panin costumava desafiar seus críticos a elaborarem algo parecido. Um modelo desse desafio era o seguinte:

Tente criar uma genealogia (mesmo ficcional) que atenda aos seguintes critérios:

1) O número de palavras tem de ser divisível por 7.
2) O número de letras também tem de ser divisível por 7.
3) O número de vogais e o número de consoantes tem de ser divisível por 7.
4) O número de palavras que começa com uma vogal deve ser divisível por 7.
5) O número de palavras que começa com uma consoante deve ser divisível por 7.
6) O número de palavras que ocorre mais de uma vez deve ser divisível por 7.
7) O número de palavras que ocorre em mais de uma forma deve ser divisível por 7.
8) O número de palavras que ocorre em apenas uma forma deve ser divisível por 7.
9) O número de substantivos deve ser divisível por 7.
10) O número de palavras que não são substantivos deve ser 7.
11) O número de nomes próprios deve ser divisível por 7.
12) Apenas 7 palavras devem ser substantivos não próprios.
13) O número de nomes masculinos deverá ser divisível por 7.
14) O número de gerações deverá ser também divisível por 7.
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Ivan_Panin)

São famosos os debates que Panin teve com alguns céticos, por meio das colunas de vários jornais em Nova York. E muitos dos seus críticos ficaram sem respostas, diante dos fatos numéricos apresentados.

Por exemplo, durante vários meses, em 1899, o jornal NEW YORK SUN havia dedicado um grande espaço, em sua edição de domingo, à textos discutindo a veracidade do Cristianismo. Na edição de 19 de novembro de 1899, publicou uma carta de alguém (que se identificou como W.R.L.), na qual ele denunciou o cristianismo, usando os velhos "argumentos", freqüentemente refutados, e desafiou "algum campeão da ortodoxia” a entrar “na arena” do jornal e dar aos leitores alguns "fatos" em defesa da religião cristã.

Então Ivan Panin aceitou o desafio, e enviou uma carta ao The Sun, com vários anexos, apresentando muitos fatos matemáticos ocultos nos textos originais da Bíblia. E lançou um contra desafio ao senhor W.R.L, para que este imitasse o evangelista Mateus e elaborasse uma genealogia no mesmo estilo encontrado no capítulo 1º do Novo Testamento (como apresentamos no inicio deste artigo). Outra descoberta de Panin tem a ver com a quantidade de certas palavras que cada escritor usou, como ele mesmo explicou no mesmo artigo:

“Não há um só parágrafo no Evangelho de Mateus que não esteja formado neste plano. Além disto, cada parágrafo tem relação aritmética com o que precede e com o que segue. Assim, no último capítulo, ele emprega 7 palavras que não tinha empregado antes. No Evangelho há 140 palavras, 20x7, que não aparecem em nenhum outro livro do Novo Testamento. Mateus emprega 140 palavras que os outros não empregam. Como poderia ele saber que Marcos, Lucas, João, Tiago, Judas e Paulo não haveriam de usar estas palavras? Alguém poderia pensar que Mateus escreveu depois de todos. Acontece, porém, que Marcos mostra em seu Evangelho o mesmo fenômeno aritmético”.

“A pergunta se impõe, como poderia este homem [Mateus] saber que Marcos, Lucas, João, Tiago, Pedro, Judas e Paulo não usariam estas [140] palavras? Se não levarmos em consideração as seguintes hipóteses é totalmente impossível ter sido escrito como o foi:”

“Ou Mateus tinha combinado isto antes com todos eles; ou, ele tinha todo o resto do Novo Testamento na sua frente antes de começar a escrever; ou então, do Novo Testamento todo, deve ter sido o evangelho de Mateus o livro que foi escrito por último.”

“... O evangelho de Marcos é também um milagre literário e matemático igual ao de Mateus. (...) Mas agora ainda temos que dizer que o evangelho de Lucas apresenta exatamente as mesmas características como de Mateus e Marcos, e do mesmo modo João, Tiago, Pedro, Paulo e Judas. (...) As mesmas características estão em tudo e não existe possibilidade humana para explicar isto. Oito homens impossivelmente podem ter escrito cada um por último, 27 livros, 537 páginas [na edição grega usada pelo autor] e milhares de parágrafos? (...) Só quero acrescentar ainda, que do mesmo modo podemos provar e comprovar de que o texto hebraico do Antigo Testamento foi também inspirado literalmente.”

*Mais detalhes sobre esse desafio, podem ser encontrados no livro “The Inspiration of the Scriptures Scientifically Demonstrated – A Inspiração das Escrituras demonstrada cientificamente”, de Ivan Panin, facilmente encontrado, em pdf, pela internet.

Claro que essa abordagem da Bíblia gerou muitas polêmicas e especulações na época, tanto entre os céticos como entre os cristãos. E, durante toda sua vida, como cristão, Panin deu muitas palestras e debateu com muitos céticos, sempre os desafiando a tentarem elaborar alguma frase usando os mesmos artifícios numéricos encontrados na Bíblia.

Em resposta a carta-desafio de Panin, muitas cartas foram encaminhadas à redação do The Sun, E NENHUMA DELAS conseguiu responder ao desafio. Panin disse que só haveria três maneiras de refutá-lo:

1 – Mostrando que os fatos não eram como ele os havia apresentados;

2 – Mostrando que era possível que 8 homens escrevessem um após o outro, 27 livros, totalizando 500 páginas, cada uma por sua vez escrita por último;

3 – Mostrando que, mesmo que os fatos sejam verdadeiros, a aritmética impecável e a colocação dos números honestos, não se segue que meros homens não poderiam ter escrito isso sem a inspiração de cima.

Na mesma época Panin havia desafiado, isto é, convidado publicamente, nove notáveis racionalistas, para tentar refutá-lo. O resultado foi o seguinte:

 Um disse que não estava "interessado" nas ações "aritméticas" do escritor; dois "lamentaram" que "não tivessem tempo" para dar atenção a essas coisas. Outro alegou que "não queria ser cruel", e o restante ficou em silêncio.

Para o benefício especial destes, Ivan Panin imprimiu os dados originais com inúmeros detalhes, permitindo-lhes, da maneira mais fácil, verificar todas as declarações feitas por ele, se assim o desejassem.

Mais tarde, escreveu novamente ao N.Y.SUN, para discutir algumas das respostas que lhe tinham sido encaminhadas, recitou as três maneiras de refutá-lo e continuou:

"Nenhum homem são tentará refutar-me pelo segundo método. Para refutar-me pelo primeiro método, convido respeitosamente alguns ou todos os seguintes itens a provar que meus fatos não são fatos: a saber, senhores. Lyman Abbott, Washington Gladden, Heber Newton, Minot J. Savage, Presidentes Eliot de Harvard, White de Cornell e Harper, da Universidade de Chicago, Professor J. Henry Thayer de Harvard e Dr. Briggs, e qualquer outro crítico de destaque. [podem vir] se quiserem, todos os colaboradores da nona edição da Encyclopaedia Britannica, que escreveram seus artigos sobre assuntos bíblicos, juntamente com uma dúzia de matemáticos do calibre do professor Simon Newcomb. Quanto mais pesado o calibre de estudioso ou matemático, mais satisfatório para mim.”

“Eles descobrirão que meus fatos são fatos. E, como são fatos, estou pronto para levá-los a quaisquer três advogados de destaque, ou, melhor ainda, a qualquer juiz do Superior ou do Supremo Tribunal, e respeitar sua decisão sobre se a conclusão é desnecessária de que apenas a Inspiração possa dar conta dos fatos, se são fatos.”

“Tudo o que eu deveria pedir seria que o juiz tratasse o caso como qualquer outro caso que lhe fosse apresentado: recusando-se a admitir assuntos para discussão como irrelevantes quando irrelevantes; e ouvindo pacientemente os dois lados, como ele faz em qualquer julgamento”. [Traduzido diretamente do original, com a ajuda do tradutor do Google],

Em síntese: Panin desafiou todos os estudiosos da época (principalmente os céticos), que tentassem refutar os fatos por ele apresentados, e que, se quisessem, poderiam leva-lo ao tribunal para que os fatos bíblicos-numéricos fossem julgados de forma justa, ouvindo-se as partes, etc.

Mas esses estudiosos desafiados, quando não respondiam com uma simples zombaria, simplesmente ficavam em silêncio. Panin escreveu:

“Desafiei o editor do The Outlook, um dos grandes semanários americanos da época, e o presidente Eliot da Universidade de Harvard, e Minot, Savage e vários outros; e disse impresso: ‘Senhores, gentilmente refutarão meus fatos; refutarão as conclusões?’ Mas a resposta foi: silêncio! Eles não os refutaram, eles simplesmente não disseram nada. ‘Um deles escreveu em resposta a uma carta particular: ‘Não estou interessado em seus feitos aritméticos’”.

Ao ser questionado "Mas qual é o significado de todos esses números na Bíblia?”, Panin retirou uma nota de um dólar do bolso e respondeu: “As notas americanas têm essa peculiaridade, elas são, é claro, impressas em papel que não pode ser facilmente reproduzido, mas nesse papel também passam por uns fios de seda vermelhos”.

Aí ele concluiu a explicação para o amigo, mostrando que aquele fio de seda era uma forma do governo dificultar a reprodução do dinheiro pelos falsificadores. E perguntou: “Não acha que seria igualmente sábio da parte de Deus que Ele colocasse em Seu Livro, alguma coisa (ou marca) que dificultasse a sua falsificação?”

Apesar de Panin ter contribuído com muitas descobertas numéricas interessantes na Bíblia, um dos problemas das suas teses (segundo alguns estudiosos cristãos, entre os quais, o matemático cristão britânico Vernon Jenkins) era que:

- Ele estava obcecado com o número 7 e, aparentemente, deixou de perceber a simetria matemática envolvendo os números figurados (tais como 37 e 73);

- Um em cada 7 números é divisível por 7. Ou seja, é muito mais difícil se encontrar um múltiplo de 37 do que de 7. Embora os padrões envolvendo o número 7 nas frases e palavras da Bíblia sejam difíceis ou impossíveis de serem reproduzidos, os críticos de hoje costumam alegar que encontrar padrões de 7 em frases e textos não é algo tão difícil ou incomum.

Em outras palavras: embora a maioria dos críticos da época de Panin tenham se calado diante das evidências bíblico-numéricas apresentadas por ele, os de hoje, que se orgulham da alta tecnologia que temos, acham que as teses de Panin são frágeis.

Mas, no inicio do século XXI, alguns estudiosos cristãos (e matemáticos) cavaram um pouco mais fundo nas pesquisas de Panin e fizeram descobertas surpreendentes.

Um desses estudiosos, aliás, o mais destacado dentre eles, Vernon Jenkins, fez o avanço mais impressionante, descobrindo conexões geométricas com os textos originais do Gênesis, envolvendo números figurados, especialmente TRIANGULARES, HEXAGONAIS e ESTRELARES HEXAGONAIS – No Arquivo7 temos divulgado muitas das descobertas desse estudioso.

*Sobre Vernon Jenkins e suas pesquisas a respeito dos padrões matemáticos bíblicos (especialmente sobre o primeiro versículo do Gênesis), veja suas páginas (todas em inglês):

http://homepage.virgin.net/vernon.jenkins/ (esta não é mais atualizada)

http://www.whatabeginning.com/ (esta é atualizada, frequentemente)

PARECER FINAL DO ARQUIVO7 SOBRE AS TESES BÍBLICO-MATEMÁTICAS DE IVAN PANIN

As estruturas matemáticas envolvendo o número 7 realmente existem nos textos originais da Bíblia. Mas elas não são suficientes para fazer um texto ser inimitável ou impossível de ser escrito pelo homem. Entretanto, se juntarmos à essa estrutura de setes os inúmeros padrões envolvendo os números figurados (como 37 e 73), aí o desafio fica impossível de ser respondido. Em suma, as descobertas de Panin são apenas incompletas e muitas das conclusões dele, um pouco precipitadas. Mas as descobertas do Dr. Vernon Jenkins alçaram a Matemática Bíblica a um patamar muito, muito elevado. E, apesar de 40 anos dedicado a essas pesquisas, até hoje ninguém conseguiu refutar as teses bíblico-matemáticas de Vernon Jenkins.

E sem falar de outros estudiosos com outras descobertas impressionantes (como Peter Bluer e John Elias), cujas páginas apresento abaixo:

1 – http://www.biblemaths.com/ - de Peter Bluer – apesar de também conter uma abordagem profunda da Matemática Bíblica, este site contém outros assuntos, tais como Profecia Bíblica, com uma abordagem com a qual eu não concordo na maior parte.

2 – https://www.37x73.com/ - este é um site bem recente (eu o descobri no ano passado). O autor, John Elias, deixa claro que seu principal objetivo é juntar em sua página os melhores sites sobre Matemática Bíblica do mundo (inclusive lá tem uma seção com uma lista de links interessantes... e, mais recentemente, ao tomar conhecimento da página do Arquivo7, John Elias a incluiu entre as páginas internacionais sobre Matemática Bíblica – e, como ele faz questão de destacar, é incrível a riqueza contida nesse assunto, pois cada autor traz uma abordagem diferente, isto é, inédita, dos fenômenos matemáticos na Bíblia).

"A soma da tua palavra é a verdade,..."
(Salmos 119.160)

Moacir R. S. Junior – morganne777@hotmail.com

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